Untitled (Still life) (1913) – Amadeo Souza-Cardoso (1887-1918) | Online Art Museum

Untitled (Still life) (1913) – Amadeo Souza-Cardoso (1887-1918)

Untitled (Still life) (1913) - Amadeo Souza-Cardoso (1887-1918)

Centro de Arte Moderna, Calouste Gulbenkian Foundation, Lisbon, Portugal

Oil on canvas
Col. CAM – Calouste Gulbenkian Foundation
Inv. 86P35

-Materiais e Técnicas

ÓleoTela
-Medidas
Altura46cm
Largura61cm
-Inscrições
Tipoassinado e datado
Texto"A. de Souza Cardoso/ 1913"
Posiçãocanto inferior direito

-Incorporação
TipoAquisição
Data1986

-Exposições
Arte Contemporáneo Portugués
Fundação Calouste Gulbenkian
Curadoria: CAM/FCG
Fevereiro de 1987 a Março de 1987
Madrid, Museo Espanõl de Arte Contemporáneo
Exposição organizada pelo CAM e pelos ministérios dos "Asuntos Exteriores" e da Cultura de Espanha.
amadeo de souza-cardoso
Paulo Ferreira

23 de Janeiro a 18 de Março de 1958
Casa de Portugal
19 de Maio a 31 de Maio de 1956
Galeria Dominguez Alvarez
Amadeo de Souza-Cardoso: a primeira descoberta de Portugal na Europa no século XX
Fundação Calouste Gulbenkian
Curadoria: Paulo Ferreira
Julho a Dezembro de 1983
Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian
Os pioneiros do modernismo
27 de Dezembro de 1986 a 20 de Janeiro de 1987
Leal Senado, Museu Luís de Camões
Artistas Portugueses na V Bienal de S. Paulo
Setembro a Dezembro 1959
Museu de Arte Moderna de São Paulo
amadeo de souza-cardoso
Paulo Ferreira
Maio de 1959
Secretariado Nacional de Informação – Palácio Foz
Junho de 1959
Museu Nacional Soares dos Reis
Exposição de Pintura: amadeo de souza-cardoso
4 de Dezembro a 12 de Dezembro de 1916
Liga Naval de Lisboa, Palácio do Calhariz
Exposição de Pintura (Abstracionismo): amadeo de souza cardoso
1 de Novembro a 12 de Novembro de 1916
Salão de Festas do Jardim de Passos Manoel
Amadeo de Souza-Cardoso: um pioneiro do Modernismo em Portugal
27 de Outubro a 18 de Novembro de 2001
Museu Estatal Pushkin de Belas Artes
1887-1987 centenário do nascimento de amadeo de souza- cardoso
Fundação Calouste Gulbenkian
Curadoria: Fundação Calouste Gulbenkian
20 de Julho de 1987 a 31 de Outubro de 1987
Fundação Calouste Gulbenkian
Amadeo de Souza-Cardoso: diálogo de vanguardas
Curadoria: FREITAS, Helena de
15 de Novembro de 2006 a 15 de Janeiro de 2007
Fundação Calouste Gulbenkian
Amadeo de Souza-Cardoso (1887-1918): Ein pionier aus Portugal
2 de Dezembro de 2007 a 30 Março de 2008
Ernst Barlach Haus
-Bibliografia
Amadeo de Souza-Cardoso
Lisboa, Inquérito, 1972
Monografia
Exposição de Pintura (Abstraccionismo): amadeo de souza- cardoso
Porto, [s.n.], 1916
Catálogo
Exposição de Pintura: amadeo souza-cardoso
Lisboa, [s.n.], 1916
Catálogo
amadeo de souza-cardoso
Paris, Casa de Portugal, 1958
Catálogo
amadeo de souza-cardoso
Lisboa, SNI, 1959
Catálogo
Artistas portugueses na V Bienal de S. Paulo
São Paulo, Museu de Arte Moderna, 1959
Catálogo
Amadeo de Souza-Cardoso : a primeira descoberta de Portugal na Europa no século XX
Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian. Centro de Arte Moderna, 1983
Catálogo
Os pioneiros do modernismo
Macau, Leal Senado de Macau, 1987
Catálogo
Arte Contemporáneo Portugués
Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, Centro de Arte Moderna, 1987
Catálogo de exposição
Amadeo de Souza-Cardoso: um pioneiro do Modernismo em Portugal
Lisboa, Museu do Chiado, 2001
Catálogo
Cinco pintores da modernidade portuguesa: 1911-1965
Barcelona, Fundació Caixa Catalunya, 2004
Catálogo
Amadeo de Souza-Cardoso
Lisboa, Sul, 1956
Monografia
1887-1987 centenário do nascimento de amadeo de souza- cardoso
Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 1987
Catálogo
História da arte em Portugal: Pioneiros da modernidade. Vol. 12
Lisboa, Alfa, 1988
Monografia
Amadeo de Souza-Cardoso: o português à força & Almada Negreiros: o português sem mestre
Venda Nova, Bertrand, 1986
Monografia
Amadeo de Souza-Cardoso: diálogo de vanguardas
Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian. Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão, Assírio & Alvim, 2006
Catálogo
Amadeo de Souza-Cardoso (1887-1918): Ein pionier aus Portugal
Hamburg, Ernst Barlach Haus, 2007
Catálogo

Expresso
, 1983
O fim de um modernismo em debate
PINTO, A Cerveira
Debruça-se sobre a arte moderna e o pós-modernismo, mencionando, neste contexto, Amadeo: "ainda hoje Amadeo de Souza-Cardoso ou Santa Rita não existem senão no nosso imaginário nacional ou na auto-satisfação passiva e onanista dos seus epígonos (…) A presença de Amadeo de Souza-Cardoso no «Armory show», (…) não produziu qualquer continuidade e amadurecimento da sua experiência revolucionária mas o regresso à aldeia lusitana, o ostracismo e a morte aos 40 (sic.) anos".
Centro de Arte Moderna em Portugal: 70 anos de arte em Portugal
ALMEIDA, Fernando António
Descreve a Galeria de Pintura Portuguesa do Centro de Arte Moderna, destacando algumas obras de Amadeo: ""Os Galgos"/ 77P1 de 1911, a que o artista nos irá dar um «quase-sósia», que intitulará "Saut de Lapin"/ CP0014 e um dos oito quadros que apresentará nos Estados Unidos da América, em 1913, ano em que produz enormente, no Armory Show, enquanto que "Os Galgos" tinha sido apresentado em Paris, em 1911, no Salão dos Independentes".
Amadeo numa hora zero
PERNES, Fernando
Comenta a exposição de Amadeo no CAM. Refere dados biográficos e a importância da obra de Amadeo: "primeiro autêntico pintor lusitano do séc. XX, Amadeu decidiu a sua breve carreira entre as condições emblemáticas de emigrante em Paris e de exilado no seu próprio País. Para a capital francesa, ele transportou uma memória viva das cores e da paisagem nortenha que o individualizou num gosto parisiense epocal com veemente nota numa austeridade cubista, enraizável em tradições do recolhimento jansenista gaulês, como naquela severidade plástica que Juan Gris herdou de Zurbaran". Descreve as diferentes fases da obra de Amadeo. Critica o estudo de Fernando de Pamplona "Chave da Pintura de Amadeo" ("livro medíocre").
Cerveira: outros lugares para o olhar
PERNES, Fernando
Relativo à Bienal de Arte de Vila Nova de Cerveira, que nesta edição homenageia Amadeo. Refere a excelente qualidade dos quadros de Amadeo aí expostos e algumas das principais características dessas obras. Informação contida no artigo de Filomena Cabral "Cerveira: Amadeo partiu" (JL, 25 de Set. )
Amadeo visto de hoje
COELHO, Teresa e MELO, Alexandre
Composto por depoimentos de 4 pintores portuguesas sobre a obra de Amadeo: Jorge Martins, Pedro Proença, Pedro Calapez e João Jacinto.
Corpo: morte e ressurreição
PORFÍRIO, José Luís
Relativo à exposição Desenhos do Corpo, patente no Museu José Malhoa, Caldas da Rainha. Refere a participação de obras de Amadeo no núcleo O Nu: "Os nus de Amadeo, ou sofrem um princípio decorativo, ou então desenvolvem-se como um princípio linear e abstracto que denota o intímo contacto com o seu companheiro Modigliani". Fala também do núcleo Corpo a Corpo, que evidencia a "relação do corpo, o amor, sem dúvida, mas o confronto sugerido ou evidente – Amadeo, Eloy e Sarmento (…) os desenhos de Amadeo começam por um exercício de deformação e alongamento e acabam em exercícios coloridos (aguarelas sobre papel) que encenam a ambivalência amor/ ódio, como os títulos de dois deles bem enunciam: «Crime Abismo Azul, Remorço Físico»/ CP0062 e «Força, Amor e Raiva»/ 77DP328. Esta é, no entanto, uma violência folclórica, mesmo na intenção do artista vivida por dentro do desenho apenas como exercício".
Privado. Sousa Cardoso «revisitado»
PALMA-FERREIRA, J. F.
Anuncia o leilão que terá lugar no Palácio do Correio-Velho, entre 27 e 30 de Nov., destinado aos coleccionadores de pintura. Refere a presença da obra de Amadeo "Rapazito"/ CP0061, que vai à praça por mais de 20 mil contos, podendo estabelecer um preço-recorde para a pintura portuguesa: obra assinada, 40x50cm, conserva ainda no verso da tela etiquetas, de colecção e de referência ao Museu de Amarante – Manhufe, bem como de uma exposição camarária (nota da leiloeira). Isabel Maiorca à data era a responsável do Correio-Velho.
Colecção Gulbenkian em Amiens
Economia e Negócios. Pintura na Tapada
J.F.P.F.
Relativo ao leilão na Tapada da Ajuda, organizado pela Leiria e Nascimento (27 de Fev.), que inclui uma aguarela sobre papel de Amadeo, assinada e datada/ CPA0022.
Amadeo espartilhado
POMAR, Alexandre
Critica a exposição de Amadeo na Fundação Juan March em Madrid, que falha em termos de análise à obra do artista, como provam os textos do catálogo, e falha nas obras expostas ao excluir outras consideradas importantes ( desenhos de 1910-11, "Casa de Manhufe", "Cozinha da casa de Manhufe", "Procissão de Amarante", "Arabesco Dynamico Real", "Trou de la Serrure", as "Canções Populares", "Zinc" e "Coty").
Arte portuguesa em Macau
CRUZ, Valdemar
Relativo à exposição que se realizará em Junho de 1999 em Macau. Num dos núcleos desta exposição serão expostas obras dos "artistas que marcaram os anos 10 a 60 do modernismo", entre eles Amadeo.
Amadeo de regresso à América
POMAR, Alexandre
Relativo à exposição de Amadeo nos Estados Unidos. Refere o Armory Show e as obras que aí vendeu, das quais apenas se localizaram as que foram adquiridas por Arthur J. Eddy (hoje no Art Institute of Chicago), ou seja, 3 das 7 obras vendidas nesse evento. Menciona, por ocasião também do Armory Show, a edição de um postal da obra "Avant la Corrida" (hoje desaparecida) e várias reproduções e referências na imprensa, que indicam a projecção dada à obra de Amadeo, que se deveu em grande parte à admiração de Walter Pach pela obra deste artista. Fala ainda dos textos do catálogo, que referem a "«influência» de Amadeo sobre Brancusi (…), o interesse pela pintura do Douanier Rousseau, a contribuição de R. Delaunay para lhe abrir as relações alemãs (Herwarth Walden e o Salão de Outono de «Der Sturm» em 1913)" como pistas significativas.
Amadeo a 40 mil contos
J.F.P.F.
Relativo ao leilão realizado no Palácio do Correio-Velho, em Lisboa (29 e 30 de Nov.), no qual constavam duas obras de Amadeo: um óleo s/ tela/ CP0093, com estimativa de 40 mil contos; um óleo s/ cartão (paisagem)/ CP0006, estimado em 15/ 18 mil contos, acompanhado por um certificado de autenticidade assinado por Paulo Rodrigues Ferreira.
Amadeo em Nova Iorque: «An exciting show» caído do céu, segundo o «New York Times»
POMAR, Alexandre
Relativo à exposição de Amadeo nos Estados Unidos. Refere artigos críticos de jornais norte-americanos sobre esta exposição, como o de Roberta Smith no The New York Times. Informação contida no artigo "Amadeo viaja pelos EUA" in Diário de Notícias (8 de Jul.).
Amadeo de volta à América
POMAR, Alexandre
Faz um balanço da exposição de Amadeo nos EUA, referindo várias críticas publicadas nos periódicos norte-americanos.
As carreiras iniciais de Mondrian e Amadeo através do tema da paisagem: Encontro em Paris
POMAR, Alexandre
Amadeo: ida e volta
POMAR, Alexandre
Relativo à exposição Amadeo de Souza-Cardoso: diálogo de vanguardas. Refere dados biográficos sobre Amadeo, destacando a presença da sua obra nos Estados Unidos (Armory Show), onde foram localizadas duas obras entretanto desaparecidas: Return from the Chase e Avant la Corrida. Menciona nova apresentação na América com a exposição At the Edge: A Portuguese Futurist. Foca a individualidade da obra de Amadeo, apontando influências recebidas (pintura "primitiva" do Norte da Europa/ Gótico) e exercidas (Brancusi). Destaca também os contactos que Amadeo estabeleceu na Alemanha, nomeadamente com Otto Freundlich, referindo o texto de J. Heusinger no catálogo da exposição.
O álbum inédito
PORFÍRIO, José Luís
Relativo à publicação facsimilada do conto de Flaubert ilustrado por Amadeo. Comenta o "álbum", no qual estão presentes uma "estilização decorativa, ainda de raiz simbolista" e referências futuristas. Considera que "interessa entender o conceito geral da Légende na ultrapassagem da ilustração, ou melhor, na tentativa, conseguida, de transformar o texto na sua própria ilustração".
O pensamento plástico
PORFÍRIO, José Luís
Relativo a uma fotografia com uma montagem (sobre uma parede ou um painel) de elementos reconhecíveis em algumas pinturas de Amadeo, que pode remeter para o processo de trabalho deste artista no período em que se encontrava "longe de Paris".
A geração de Amadeo
PORFÍRIO, José Luís
Comenta a exposição sobre Amadeo organizada pelo CAM-JAP, FCG. Realça a presença dos artistas estrangeiros nesta exposição que apontam para o contacto que Amadeo estabeleceu com três polos culturais do início do século XX: Paris, Berlim e a "zona eslava", que chama a atenção para os paralelismos existentes entre a obra de Amadeo e dos artistas russos, ambos encontrando-se em "periferias simétricas".
Memória de Lúcia
POMAR, Alexandre
Regista dados biograficos sobre Lucie Meynardi Pecetto, referindo o primeiro encontro com Amadeo. Refere que Lucie "voltou a tentar a exposição em Nova Iorque que Amadeo ambicionava".
Para abrir a temporada
POMAR, Alexandre
Anuncia a exposição ASC: Diálogo de vanguardas, que revelará obras inéditas, renovará o conhecimento sobre o artista português, procedendo-se a uma revisão "numa perspectiva alargada", pela inclusão de peças de artistas que privaram com Amadeo ou que se lhe aproximam artisticamente.
Amadeo: A febre de experimentar
PORFÍRIO, José Luís
INSERIR CONTEÚDO
Amadeo à velocidade da alegria
MELO, Alexandre
Relaciona Amadeo com os artistas contemporâneos. Defende o recurso a uma nova metodologia para estudar a obra de Amadeo, associada a "metáforas" que exprimem o sentido de velocidade e dinamismo, presente na obra do pintor português.
Amadeo é isto
PORFÍRIO, José Luís
Comenta a exposição realizada em 1987 pela Fundação Gulbenkian. Sintetiza a obra e percurso de Amadeo a partir desta mostra.

BIOGRAPHY

Amadeo nasceu na quinta dos seus pais em Manhufe, no concelho de Amarante, a 14 de Novembro de 1887. Cresceu entre nove irmãos, no seio de uma família de abastados proprietários rurais. Passou a sua infância entre a casa de Manhufe e as estâncias de veraneio na praia de Espinho. Aí conheceu Manuel Laranjeira, cuja amizade foi determinante para incentivar a prática do desenho, que Amadeo desenvolveu depois em Lisboa, no âmbito dos estudos preparatórios de Arquitetura na Academia de Belas-Artes de Lisboa. Estávamos em 1905.

A viagem para Paris, em Novembro do ano seguinte, na companhia de Francisco Smith, não tinha data de regresso marcada. Financiado pelos pais, Amadeo instalou-se no Boulevard Montparnasse e tratou de preparar o concurso à École des Beaux Arts. Contudo, o ambiente parisiense reforçou a sua inclinação para o desenho e a caricatura, contribuindo para afastá-lo de vez do campo da Arquitetura. Particularmente influenciado pela ilustração que circulava na imprensa francesa, Amadeo não tardará a dedicar-se ao desenho e à pintura.

Os primeiros anos de estadia em Paris ficaram marcados pelo convívio com outros portugueses emigrados. O estúdio que alugou no 14, Cité Falguière converteu-se num espaço de tertúlias e boémia com a presença assídua de artistas como Manuel Bentes, Eduardo Viana (que o acompanhará em 1907 numa viajem à Bretanha), Emmérico Nunes, Domingos Rebelo e Smith. Este convívio regular não durou muito. O final de 1908 e o início do ano seguinte trazem importantes alterações à vida de Amadeo: conhece Lucia Pecetto (1890-1989), com quem casará em 1914, e começa a frequentar as classes da Academia Viti, do pintor espanhol Anglada-Camarasa (1871-1959). Muda então o seu atelier para a rue des Fleurus num espaço contíguo ao apartamento de Gertrude Stein. Estas alterações terão contribuído para distanciá-lo do circuito dos artistas portugueses. Mas esse afastamento voluntário parece traduzir, antes de mais, um corte de sentido plástico, uma vontade de romper com a “rotina atrasada” que lhes atribui. O nível de exigência e de comprometimento com o trabalho que já então ia produzindo remetem-no para uma esfera sem paralelo na pintura dos portugueses, porque Amadeo mergulha plenamente nas pesquisas do modernismo internacional em desenvolvimento em Paris. É nesse contexto de investigação formal que, em 1910, o veremos entusiasmado com as pinturas dos “primitivos” flamengos (numa estadia de três meses em Bruxelas). É neste período também que o veremos aprofundar a sua amizade com Amedeo Modigliani (1884-1920).

Em 1911, Amadeo muda outra vez de estúdio. Instala-se próximo do Quai d’Orsay, na rue du Colonel Combes. Em Outubro realiza neste espaço uma exposição com Modigliani. Esta não seria, contudo, a primeira exposição da sua obra. Alguns meses antes, Amadeo apresentara um conjunto de seis pinturas no Salon des Indépendants. Volta a expor neste Salão no ano seguinte e em 1914. De igual modo, mostra o seu trabalho no Salon d’Automne entre 1912 e 1914. Entretanto, o seu círculo de amizades e conhecimentos estende-se e internacionaliza-se. Conhece Umberto Boccioni (1882-1916), Gino Severini (1883-1966), e Walter Pach (1883-1958), que mais tarde o convidará a participar no Armory Show. Está também em contacto com Juan Gris (1887-1927), Max Jacob (1876-1944), Sonia e Robert Delaunay, Brancusi (1876-1957), Archipenko (1887-1964), Umberto Brunelleschi (1879-1947) e Diego Rivera (1886-1957), entre outros.

O interesse de Amadeo pelo desenho consolida-se neste período com a preparação do manuscrito ilustrado da Légende de Saint Julien l’Hospitalier* de Flaubert e pela publicação do álbum XX Dessins (reeditado pelo CAM em 1983) com prefácio de Jérôme Doucet, álbum que mereceria uma apreciação muito favorável do célebre crítico Louis Vauxcelles.

Amadeo esforçar-se-á também por mostrar a sua pintura fora do circuito parisiense. Os contactos que estabelece nestes anos permitir-lhe-ão participar numa série de importantes exposições de grupo, entre as quais a célebre Exposição Internacional de Arte Moderna de 1913, também conhecida como Armory Show, que mostraria pela primeira vez a moderna arte europeia nos EUA (Nova Iorque, Chicago e Boston). Amadeo apresenta um total de oito obras, ao lado de Braque (1882-1963), Matisse, Duchamp (1887-1968), Gleizes (1881-1953), Herbin e Segonzac (1884-1974). Três das suas telas foram compradas pelo colecionador de Chicago, Arthur J. Eddy, o qual, ao publicar Cubist and Post-Impressionism (1914), cita e reproduz algumas das obras do pintor português, destacando-o pelo seu colorido. Outros importantes contactos vão levá-lo à Alemanha. Em Setembro de 1913, já depois de outra mudança de estúdio (que o leva a instalar-se em Montparnasse, na rua Ernest Cresson), estará representado no I Herbstsalon de Berlim, organizado pela Galeria Der Sturm. Amadeo já havia trabalhado com esta galeria berlinense em Novembro de 1912, data em que pela primeira vez expôs no seu espaço. É muito provável que em 1914 tenha participado em mostras em Colónia e Hamburgo e é certo que em Abril desse mesmo ano enviou 3 trabalhos para a Royal Academy de Londres, tendo todavia a exposição sido cancelada com o deflagrar da Guerra.

Também em 1914, antes de deixar Paris para passar o Verão em Portugal, como era habitual, Amadeo volta a mudar de atelier para a Vila Louvat, no nº 38 bis da rua Boulard. Não chegou todavia a utilizar este espaço. Após uma breve passagem por Barcelona em que visita o seu amigo, escultor, León Solá, e conhecerá Gaudí, Amadeo regressa a Manhufe, onde será surpreendido pelo deflagrar da Guerra que o impedirá de regressar a Paris.

A estadia forçada de Amadeo em Portugal não foi sinónimo de apatia criativa. Se ainda em Paris a sua obra explorara os domínios da abstração e, depois, enveredara por vias de compromisso expressionismo, o exílio em Portugal acabará por constituir-se como um momento de plena maturação da sua pintura, que se aproximará então de muitas das questões equacionadas no domínio da colagem.

Em 1915, o isolamento de Amadeo em Amarante foi quebrado pelo contacto com Sonia e Robert Delaunay, que a Guerra fizera também, inesperadamente, aportar a Vila do Conde. Por esta via, o círculo das suas relações recupera Eduardo Viana e alarga-se a Almada Negreiros. No seio deste núcleo de amizades geram-se diversos projetos, nomeadamente a criação de uma Corporation Nouvelle destinada a promover exposições internacionais itinerantes, ideia que nunca chegou a concretizar-se. Entretanto, através de Almada, Amadeo entra em contacto com o grupo dos “Futuristas” lisboetas, reunidos inicialmente em torno da revista Orpheu.

Na batalha pela agitação do meio artístico português, Amadeo teve um papel discreto mas relevante. No final de 1916, numa conhecida entrevista que deu ao jornal O Dia, parafraseia largamente os manifestos de Marinetti. Não que as propostas do Futurismo o cativassem enquanto solução formal. A postura radical e modernista com que o movimento era identificada em Portugal, convinha todavia a Amadeo como forma de intervenção e motor de rutura com as estruturas tradicionalistas dominantes, que o haviam atacado por ocasião das suas duas únicas exposições realizadas em vida em Portugal.

Em Dezembro de 1916, Amadeo promoveu, primeiro no Porto e depois em Lisboa, uma mostra em que reuniu sob o título de Abstraccionismo 114 pinturas. O desfasamento da cultura estética nacional impediu uma receção favorável das propostas pictóricas de Amadeo, ganhando os certames uma aura de escândalo (coroada no limite pela agressão física ao pintor). Neste contexto importa destacar o protagonismo de Almada Negreiros e Fernando Pessoa na sua defesa pública. Ambos o reconheceram como o pintor mais significativo do seu tempo. Mas não deixaram de ser manifestações excêntricas e isoladas.

Amadeo morreu em Espinho em Outubro de 1918, vítima da epidemia de pneumónica que deflagrou nesse ano. Tinha apenas 30 anos.

Joana Cunha Leal
Maio de 2010

Posted by >pedrosimoes7 on 2015-05-23 15:25:16

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